08/01/2020
Escrito por Valor Econômico

Coalizão Embalagens planeja mais que dobrar seu alcance até 2024

 

A Coalizão Embalagens, que reúne 14 associações setoriais e mais de 800 empresas responsáveis por 36% do mercado brasileiro, planeja mais que dobrar de tamanho, em termos de número de municípios parceiros, até 2024. O grupo, formado antes do Acordo Setorial para Implantação do Sistema de Logística Reversa de Embalagens em Geral de novembro de 2015, atua com 343 cooperativas, em 320 cidades de 22 Estados, fazendo a coleta e seleção do material a ser reciclado. Nos próximos três ou quatro anos, a meta é adicionar 345 localidades em todo o país, ampliando a reciclagem de embalagens e atendendo a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

“O grande esforço está em conseguir a parceria com o município e estruturar as cooperativas para formalizar a cadeia [de coleta e reciclagem de embalagens]”, diz o secretário executivo da Coalizão, César Faccio. Em outra frente, o grupo acompanha de perto os debates em torno da desoneração de impostos de material reciclado, que tende a estimular a demanda por esse tipo de produto pela própria indústria.

Na primeira fase de atuação, o grupo se concentrou nas cidades que sediaram eventos da Copa do Mundo. Com um pacote de iniciativas de apoio a organizações de catadores e instalação de milhares pontos de entrega voluntária, entre outras, reduziu em 21,3% o volume de embalagens dispostas em aterro até 2017. No ano seguinte, esse índice chegou a 22%.

Nessa segunda fase de atuação, segundo Faccio, o olhar da Coalizão estará mais voltado aos Estados que começam a desenvolver compromissos próprios de logística reversa e reciclagem alinhados ao pacto federal. No Sudeste, a legislação estadual é avançada em São Paulo. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná estão perto de tê-la.

Importante impulso à reciclagem pode vir da reforma tributária e há propostas específicas relativas ao material reciclado em tramitação no Congresso Nacional. “Haveria mais reciclagem se o material reciclado tivesse alguma desoneração”, explica Faccio.

Apesar de ter atingido a meta traçada para essa primeira fase de atuação, a Coalizão sofreu reveses no percurso. Grandes associações, entre as quais a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), apareciam entre as 22 entidades que compunham o grupo original e hoje não estão mais nos quadros, reduzindo o poder de fogo do grupo.

Hoje estão na Coalizão entidades que representam indústrias usuárias de embalagens (Abia, Abinpet, Abiove, Abir, Abpa, Abrabe, Abrafati, Aslore e Sindicerv), fabricantes de matérias-primas ou embalagens (Abipet, Abiplast, Ibá e Plastivida) e distribuição de produtos industrializados (Abad).