24/05/2016
Escrito por O Estado de S. Paulo

Monsanto rejeita proposta de US$ 62 bi da Bayer, mas aceita negociar

Companhia considerou oferta 'financeiramente inadequada'; eventual união criaria a maior empresa de sementes e insumos agrícolas do mundo

A Monsanto afirmou nesta terça-feira, 24, que rejeitou a oferta de compra feita pela Bayer, multinacional alemã do setor químico, pelo valor de US$ 62 bilhões. Apesar da negativa, a empresa disse que segue aberta a conversas.

A justificativa para rejeitar a proposta foi o valor, ainda abaixo do que a Monsanto considera justo. A posição já era esperada pelo mercado e exerce pressão sobre a Bayer, que tem um grande nível de endividamento e, ao mesmo tempo, vê o setor passar por uma rodada de consolidação que deve mudar drasticamente o mercado.

"Acreditamos nas vantagens que uma estratégia integrada pode oferecer aos produtores e à sociedade, assim como temos um grande respeito pela Bayer", afirmou Hugh Grant, CEO da Monsanto. "Apesar disso, a proposta atual subvaloriza significativamente a empresa e não pondera adequadamente os potenciais riscos regulatórios e operacionais relacionados à aquisição", disse.

Conforme noticiado na segunda-feira pelo Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, a Bayer detalhou sua proposta de aquisição apresentada à Monsanto. A proposta de US$ 62 bilhões, equivalente a US$ 122 por ação, oferecia um prêmio de 37% em relação ao valor de mercado da norte-americana no fechamento de 9 de maio. Uma eventual união criaria a maior empresa de sementes e insumos agrícolas do mundo, além de impulsionar para mais de 40% a participação do setor agrícola nas vendas da Bayer.

Os diretores da Monsanto disseram nesta terça-feira que houve unanimidade na avaliação e que a atual proposta foi vista como "incompleta e financeiramente inadequada", mas afirmaram que a companhia segue "aberta a continuar conversas construtivas para determinar se a operação pode atender aos interesses dos acionistas da Monsanto". A empresa alertou que não há garantias de que o negócio ocorra.

"O aspecto central é que a Monsanto não está em uma situação complicada", apontou Joel Ray, diretor de pesquisa da Davenport Capital Management, que trabalha com ações da Monsanto. Alguns investidores e analistas do mercado entenderam que a oferta de US$ 122/ação era apenas uma proposta inicial.

De acordo com o banco Bernstein, a Monsanto poderá fazer uma contraproposta com valor mínimo de US$ 135 por ação, "tendo em vista que a Bayer será apenas a quarta empresa no mercado global de sementes e agrotóxicos" caso o negócio não seja concluído.

A confirmação do acordo pode representar a etapa final de uma rodada de consolidação do setor de agroquímicos, que já teve a fusão entre as norte-americanas Dow e DuPont, além da aquisição da produtora suíça de sementes Syngenta pela estatal chinesa ChemChina.

O movimento de consolidação do setor foi motivado pela queda contínua dos preços agrícolas nos últimos três anos, que tem pressionado as empresas do setor, diante da retração da renda dos produtores. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projetou que a renda dos produtores norte-americanos neste ano será a menor desde 2002. (Com informações da Dow Jones Newswires).